Kraftwerk é o nome do grupo responsável por inspirar uma série de vertentes da música pop contemporânea. O público mais jovem, abaixo da casa dos “20”, deve ter ouvido falar do Kraftwerk como a banda que abriria o show do Radiohead no Brasil. Mas o que este trio (ou quarteto, depende da formação) alemão, composto por sujeitos quarentões tem a ver com hip-hop? Não vou dizer que “tudo”, mas tem muito a ver.
Vamos contextualizar: O kraftwerk (“usina de energia” numa tradução literal) surgiu nos anos 1970, fundado por Florian Schneider –Esleban, Ralf Hütter e posteriormente vieram os membros Karl Bartos e Wolfgan Flür. Oriundos da cidade de Düsseldorf (alguém se lembra do filme?) este grupo é o precursor da música eletrônica no mundo, surgindo numa época em que este termo nem mesmo existia. A verdade é que eles abriram o caminho para todos os que hoje trabalham com samplers, e outras parafernálias digitais, na construção de suas músicas. A idéia surgiu de dois jovens amigos, estudantes de música clássica e fãs de bandas norte-americanas como Beach Boys. Os primeiros discos, Kraftwerk, Kraftwerk 2 e Ralf und Florian foram lançados apenas para o mercado alemão.
O disco Autobahn (1975) é um dos mais importantes da música pop mundial, influenciando diversos trabalhos ao redor do globo. Foi este álbum que popularizou e levou o som dos alemães para a América. A música do Kraftwerk serviu de trilha para que dançarinos de break novayorquinos mimetizassem movimentos robóticos. O disco Trans Europe Express o segundo lançado nos EUA foi outro sucesso. Em 1982 a música, de mesmo nome, acabou sendo utilizada pelo pai do hip-hop, Áfrika Bambaataa para construir o hit “Planet Rock”, verdadeiro clássico do grupo Soul Sonic Force, do qual Bambaataa era líder. É interessante pensar nesta interação existente entre as mais diversas culturas, as coisas estão interelacionadas, não importa o quanto os “puristas” (aqueles defensores da “pureza” de determinada manifestação cultural, totalmente contrários a qualquer tipo de mistura ou inovação) torçam seus narizes.
Até porque não existe, hoje, uma estética artística (musical ou plástica) que não tenha nascido da fusão de outras, ou mesmo inspirada em outras escolas.
O Kraftwerk pode ser considerado o pai de uma infinidade de escolas musicais, do hip-hop, ao new wave, drum n‘ bass e por aí vai. Quem quiser conferir o som deste que é um dos trabalhos mais importantes do último século é só clicar aqui. Nos vemos na próxima.
Roger Deff é vocal do Julgamento, leitor assíduo de HQs e jornalista
